Professor Joaquim Santos Júnior - Featured image

Professor Joaquim Santos Júnior


O professor Joaquim Santos Júnior (1901-1990) e os castros do Barroso

Joaquim dos Santos Júnior foi um médico, antropólogo, ornitólogo e professor universitário português, nascido em Barcelos, no início do século XX – mais especificamente, a 2 de maio de 1901.

Fez grande parte da sua formação no Porto, tendo frequentado o liceu nesta cidade entre 1911 e 1918. Depois de concluir esta etapa, iniciou o curso de Engenharia Agronómica na Universidade de Lisboa, mas teve de o interromper por motivos de saúde. Posteriormente, regressou ao Porto, onde se licenciou em Ciências Histórico-Naturais, em 1923. Complementou a sua formação com estudos em grego, Etnologia, Estética e História da Arte. Mais tarde, especializou-se em Química Coloidal, formou-se em Medicina e Cirurgia e, em 1944, doutorou-se com uma tese sobre a antropologia de Moçambique.

Iniciou a carreira profissional, em 1923, como assistente na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde lecionou diversas disciplinas ao longo de décadas, como Zoologia, Antropologia, Ecologia Animal, Anatomia e Fisiologia Comparadas e, mais tarde, Sociologia. Foi progressivamente avançando na sua carreira até ser promovido a professor catedrático em 1954. Desempenhou, ainda, funções de direção em instituições científicas da universidade, incluindo o Museu e Laboratório Antropológico e o Instituto de Zoologia e Estação de Zoologia Marítima Dr. Augusto Nobre.

Paralelamente à atividade académica, exerceu clínica no Hospital de Santo António e participou em missões científicas, destacando-se como chefe da Missão Antropológica de Moçambique, com seis campanhas realizadas entre 1936 e 1956. Foi, também, professor convidado na Universidade de Luanda, onde lecionou Zoologia até à sua jubilação, em 1971.

Notabilizou-se nas áreas científicas da Etnografia, Antropologia e Arqueologia, tendo publicado extensamente trabalhos nessas áreas, bem como sobre Pré-História e Zoologia. Foi um dos precursores na investigação do ultramar português e participou em inúmeros congressos na Europa e em Moçambique. Na Ornitologia, foi pioneiro da anilhagem científica de aves em Portugal e impulsionou a criação da Reserva Ornitológica de Mindelo (Vila do Conde).

Nas Caldas Santas de Carvalhelhos (Boticas), termas que frequentava com relativa assiduidade, para descanso e tratamento, possibilitou-lhe a descoberta do Castro de Carvalhelhos cujas escavações dirigiu. A relação como o Barroso intensificou-se igualmente com a direção de escavações e estudo do Castro de S. Vicente da Chã, Montalegre. Da mesma forma dedica-se de alma e coração, aos estudos de arqueologia em várias regiões de Trás-os-Montes, em escavações de castros, bem como em publicação dos seus estudos.

Viveu grande parte da sua vida na cidade da Maia, na Quinta da Caverneira – edificação do século XIX – e faleceu em 1990, em Águas Santas. Após a sua morte, o seu espólio foi doado à Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo (localidade onde passava férias, numa propriedade da sua esposa).

Fontes (texto):

– Universidade do Porto – Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto – Joaquim Santos Júnior (Disponível em https://sigarra.up.pt).

– Isaac Alonso Estraviz: “Santos Júnior e os Intelectuais Galegos: Epistolário”. Fund. Meendinho, Galiza 2011, 784 pp (disponível em https://www.academia.edu).

Fonte (fotografias): Registo fotográfico disponibilizado pelo Arquivo do Professor Santos Júnior – Centro de Memória de Torre de Moncorvo.